quarta-feira, 5 de junho de 2013

Filmes violam história de Renato Russo


 
Os filmes “Faroeste caboclo” e “Somos tão jovens” ganharam destaque na mídia por serem filmes brasileiros que levaram grande público aos cinemas. Como obras cinematográficas são um fiasco. Como objetos de registro da história de um dos maiores roqueiros do Brasil são piores ainda. Ambos são filmes para quem não conhece nada de cinema ou para quem não conhece nada de rock. É para gente que vai ao cinema como quem troca de roupa ou ouve música como quem limpa a bunda no banheiro.
“Faroeste caboclo” é o menos pior por ser interpretação de uma música da Legião Urbana. Se salva no começo como um drama humanista de um jovem que larga a vida sem perspectivas no interior e vai para a cidade grande. Mas logo cai na desgraça interpretativa com uma subcelebridade global fazendo caras e bocas, falando sussurrando e dando sorrisinhos marotos.
“Somos tão jovens” é a vergonha na forma de cinema. A interpretação dos atores é a pior possível. O filme daria um bom musical se tivesse somente a trilha sonora, sem fala nenhuma de personagens. E há muitas falhas. Uma das mais gritantes é a aparição da capa do disco da banda Civil quando o jovem Renato Russo se reúne com os amigos em um quarto. Tal disco foi lançado em 1987, quando a Legião Urbana já tinha três discos lançados. A tal cena no filme mostra parte da história quando a turminha estava entre o Aborto Elétrico e Legião Urbana... não havia nenhuma gravação ainda. Mais constrangedor ainda são os diálogos entre os músicos para escolher os nomes das bandas.
Ou seja, colocou-se qualquer coisa de qualquer jeito no filme porque a maior parte do público não sacaria nada mesmo. Muito menos as pontas dos músicos reais – o que foi feito com maestria em “A festa nunca termina” (2002) – que fizeram a história em Brasília. Muito menos perceberiam a citação relâmpago de Fejão – guitarrista da Escola de Escândalo, uma das bandas brasilienses mais bacanas e que não vingou.  
É maioria nas salas de cinema que é fã do músico que morreu numa fase decadente da carreira gravando músicas românticas bregas, bem longe do tal “gênio” que copiava declaradamente Joy Division e The Smiths. Vá pela curiosidade e pela música. “Faroeste cabloco” toca ou cita Lou Reed, The Clash, Buzzcocks e Sex Pistols. Em “Somos tão jovens” tem New York Dolls, Stiff Little Fingers, The Clash, Gang of Four, Buzzcocks e Joy Division.
* “Faroeste Caboclo” – direção: René Sampaio. Duração: 1h40
* “Somos tão jovens” – direção: Antonio Carlos da Fontoura. Duração: 1h44

4 comentários:

Fernanda Silva disse...

Putz,ia assistir!! como ja li uam biografia dele vou em decepcionar!!

ETERNO INVERNO disse...

Eu concordo,vi outros erros tambem em Somos Tão Jovens e em Faroeste Caboclo acabou com uma musica q no minimo é rica em detalhes.

SkiZoydS disse...

E Jesus Perguntou:
-Qual o seu nome?
E o Demonio respondeu:
- Legião, porque somos muitos! eheheh

SkiZoydS disse...

E Jesus perguntou?
- Qual o seu nome?
E o Demonio respondeu:
- Legião, porque somos muitos! eheheeheh