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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Quando o sonho da vida vale a pena



Ben Stiller não é o astro que faz só comédias bobas em Hollywood. Com seu filme novo “A Vida Secreta de Walter Mitty” ele mostra que é talentoso para fazer uma obra com boa história. E caprichou num meio termo entre filme de autor e comercial. O tal Walter Mitty é um funcionário quase insignificante numa grande revista que vai fechar para ficar somente na internet e prepara sua última versão impressa.
Mitty é o responsável pelo setor de negativos de fotografias da companhia. Paralelo ao trabalho enfadonho e isolado, ele vive em um mundo de fantasia e timidez. É do tipo daqueles que frente à de uma situação delicada, se imagina o herói cheio de ação e reação se saindo bem. Quando, na verdade, está imóvel e sem reação se dando mal. Até que o melhor fotógrafo da revista envia para Mitty os negativos das fotos para a última edição e o que seria a foto de capa não está junto.
O viajandão Mitty toma coragem e vai atrás do fotógrafo desvendar o mistério do negativo sumido. Para isso ele viaja o mundo em aventuras numa autodescoberta. Ele sai da fria metrópole americana para se aventurar na Groenlândia, Islândia e Afeganistão sempre por paisagens exuberantes e lições de vida reflexivas.

O filme tem muitas relações com a rotina das pessoas comuns e usa metalinguagem artística interessante. Como trilha com David Bowie, Arcade Fire, Of Monsters and Man e Daryl Hall & John Oates  e sem contar uma camiseta do Buzzcocks que aparece de relance. E, claro, muita coisa bacana sobre fotografia e redes sociais na internet. O comportamento contemporâneo também tem grande apelo em uma bela cena de skate longboard.

O filme “A Vida Secreta de Walter Mitty” é um dos melhores filmes que vi esse ano e passa aquela sensação de que a arte vale a pena ao ver mais um artista milionário hollywoodiano trabalhando com cinema de autor. E como nem tudo tem uma história bonita nessa vida, Bem Stiller já está de volta aos filmes imbecis em Hollywood. Ele trabalha nas continuações "Uma noite no museu 3" e "Zoolander 2" a estrearem até 2015.

FILME: “A Vida Secreta de Walter Mitty”
Gênero: drama / aventura / comédia
Duração : 1h54
Direção: Ben Stiller
Elenco: Ben Stiller, Sean Penn
Em cartaz no Brasil

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Arcade Fire por Terry Gilliam ao vivo na net

No meio da onda indiemo que assola o mundo, uma banda formada há sete anos no Canadá e com apenas três discos lançados é uma das mais inventivas do rock atualmente. Não que o que o Arcade Fire faça no estúdio e palco seja inovador. Longe de ser. Mas a banda destoa de tudo que é feito hoje no decadente rock alternativo.
Entre tantas influencias e referencias, ressalto uma mistura entre Talking Heads, Neil Young e Roxy Music. Meu conceito melhor é que o Arcade Fire apresenta os melhores momentos do Talking Heads e é tudo o que o Belle & Sebastian gostaria de ser se não fosse chato.

Outra prova do vínculo inventivo da banda foi dada ontem à noite. O Arcade Fire foge de todo padrão da indústria musical. Depois de lançar um disco com oito capas diferentes, a banda participou do projeto entre Vevo e YouTube, transmitindo um show em Nova York ao vivo pela internet. Aberto, sem frescura de senha. Melhor, o show foi dirigido pelo gênio Terry Gilliam que, depois de fazer parte de um dos maiores grupos humorísticos da história (o Monty Python), virou cineasta fazendo filmes autorais bacanas dando as costas para Hollywood. Antes do início do show de ontem, foram mostradas imagens de Gilliam interagindo com a banda os bastidores.

O “Arcade Fire Unstaged” começou por volta das 23h15 e durou 1h35. São nove músicos no palco e você imagina que seja impossível apresentar ao vivo a complexidade de arranjos e tantos instrumentos do disco. A banda consegue. Minha única reclamação sobre ontem foi a produção mostrar pouco as imagens do telão que eram alternadas entre closes dos músicos no palco com cenas criadas por Terry Gilliam exclusivamente para o espetáculo.

A transmissão apresentada no canal da banda no YouTube tinha um chat abaixo da janela do vídeo onde os comentários feitos pelos fãs Twitter e Facebbok entravam quase em tempo real. Gente do mundo todo comentando: desde os fãs mais radicais até os caroneiros que ficavam a toda hora perguntando qual era a música que estava tocando. Para variar, havia uns xaropes brasileiros que comentavam sobre o debate entre os presidenciáveis na Band e um engraçadinho que escreveu: “Toca Raul!”
O palco era amplo com dois pisos: abaixo ficava a maioria da banda lado a lado; acima ficavam a bateria, percussão e teclado. Os músicos se alternavam entre os instrumentos e mostravam uma boa performance e interação com seus fãs. O destaque é Régine Chassagne que, além de cantar bem, toca vários instrumentos, dança e é bonita a danada!

O set alternou os hits com as músicas novas de “The Subrbus”. Entre as que mais animaram o público estavam “Neighborhood #3 (Power out)”, “Rebellion (Lies)” e “No cars Go”, em roupagem new wave. O bis teve o hino “Neighborhood #1 (Tunnels)”, a climática “Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)”, onde a bateria eletrônica deu pane no meio e a banda recomeçou, e o climax com “Wake up”, a mais pedida no chat e na plateia.

• Confira o site do Arcade Fire.
• Veja videos do show "Unstaged".