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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Galeria Ocupação Cultural no Restaurante Popular

Ocupação cultural no Restaurante Popular , em Maringá (PR)
Data: 31 de janeiro de 2015
Bandas: Ataque de Tubarão, Comsequencia, Draw the Line, Desgraceria, Distanásia, Os Prolétas e Brian Oblivion & Seus Raios Catódicos
Fotos: Andye Iore
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Ataque de Tubarão
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Comsequencia
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Desgraceria
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Distanásia
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Draw the Line
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Os Prolétas
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Brian Oblivion & Seus Raios Catódicos
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Ivan Marinheiro
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Fazendo o “faça você mesmo”

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Maringá teve ontem (31) um dos melhores eventos da história do rock underground na cidade. Tocaram sete bandas: Ataque de Tubarão, Comsequencia, Draw the Line, Desgraceria, Distanásia, Os Prolétas e Brian Oblivion & Seus Raios Catódicos. E ainda teve a participação do rapper Ivan Marinheiro. O motivo era a despedida da banda Ataque de Tubarão cujo dois membros do trio estão mudando de Maringá, o que inviabilizaria a manutenção do grupo depois de seis anos de existência e muito barulho.

Mas o que fez do evento histórico não foram os shows e sim a mobilização das próprias bandas que fizeram uma ocupação cultural no vão do Restaurante Popular com seus próprios equipamentos e divulgação independente.
O resultado foi um evento cheio, com bons shows e público animado. Por diversas vezes já abordei no Projeto Zombilly que as bandas não precisam de prefeitura, bar ou divulgação em jornais. Numa das pesquisas que fiz sobre bandas maringaenses constatei aproximadamente 40 bandas underground de estilos variados. Somente parte desses músicos já seria suficiente para encher um show e viabilizar um evento. E foi justamente o que aconteceu ontem. Várias pessoas mobilizadas para fazer tudo acontecer sem nenhum problema.
E vale ressaltar que o line up tinha bandas uderground. Do punk rock clássico, passando pelo hard core contemporâneo até o grind core. Até o instrumental do Brian Oblivion & Seus Raios Catódicos que seria a banda com sonoridade mais acessível no dia ainda causa alguma estranheza no público não iniciado por não ter vocal. Mesmo com tantos eventos de surf music que já fizemos na cidade.
E assim, sem nenhuma atração de sonoridade acessível ou comercial, o evento cumpriu seu papel de mostrar as bandas, mobilizar um público, conscientizar as pessoas em questões políticas, sociais, ideológicas e contra preconceitos. E foi assim até o final, quando o local já tomado pela escuridão, um grupo recolheu todo o lixo, deixando o espaço limpo.
EGO - Há pouco a secretária de Cultura de Maringá deu uma entrevista de página inteira num jornal e sequer citou uma única letra sobre as bandas de rock de Maringá. Foi um “blá blá blá” com uma ladainha sobre os projetos culturais da prefeitura que ignora uma produção artística independente que grava discos por conta própria, toca em outros estados levando o nome de cidade.
Enquanto muitos dos artistas contemplados pela política cultural local acabam sumindo logo que seus projetos são lançados ao custo de milhares de reais dos contribuintes. Sem contar que tal política favorece o chamado “artistas profissional” que vive de sugar os editais públicos e todos os anos ocupa os espaços públicos que deveriam abrigar um volume maior de arte alternativa e/ou independente. Que é a que realmente forma e informa o público.
APRENDENDO – O único aspecto negativo do evento de ontem foi a organização ou bandas precisando chamar a atenção no microfone contra violência no mosh. Algumas pessoas ainda não assimilaram que a sua diversão não deve atrapalhar a de outras pessoas ao lado. E assim tinha gente que entrava no meio pulando, esperneando, socando, chutando, empurrado, tipo uma perereca no cio. Em tempos de internet e tecnologia vale uma pesquisada histórica sobre mosh para não fazer um “papelão” ao agredir outras pessoas na situação. E mesmo com Maringá já tendo recebido as principais bandas de hard core e punk do país, a situação se repete.
Chega até a ser curioso – ou digno de vergonha alheia – observar alguns jovens aventureiros na questão. Entram com tudo no mosh, batem nas pessoas e ficam poucos segundos, saindo sorrindo como se tivessem passados pela maior transgressão da história, tipo “nossa meu, eu entrei lá no meio...”. Como um “Indiana Jones do Rock Malvado”. Não tem nada de engraçado nisso e isso não faz parte da cultura punk e hard core. Embora seja comum, infelizmente, hoje. Aproveita a pesquisa para parar de chamar stage dive de mosh.
Foto: Andye Iore

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Bandas usam o DIY pela reabertura de CineTeatro abandonado

plaza

Abandono e descaso. Essa é a situação que acompanha o espaço histórico CineTeatro Plaza no centro de Maringá há anos. Por isso cinco bandas underground maringaenses - Ataque de Tubarão, FFAR, The Junkies, Desgraceria e Comsequencia - se uniram num ato de ocupação cultural no último sábado (24) pedindo a reabertura do espaço para a população. Ao melhor estilo do it yourself.
O curioso é que frente à ineficiência da secretaria de Cultura de Maringá em oferecer alternativas culturais para a população, ainda cria dificuldades para que os artistas possam colocar em prática seus projetos independentes. Vide o caso do Coletivo Maringá Independente que tinha todo um planejamento de eventos e após contatos com a prefeitura para fazer tudo dentro das normas, acabou adiando a iniciativa.
HISTÓRIA - Com a decadência dos cinemas de rua pelo avanço das salas cinematográficas em shoppings, a cidade viu o CineTeatro Plaza ser comprado pela prefeitura em 1990, o Cine Maringá ser comprado por uma igreja evangélica em 2000, o Cine Peduti ser demolido em 2007 para dar lugar a um comércio e o Cine Horizonte ser depredado em 2008.
O CineTeatro Plaza foi criado em 1968 e tem capacidade aproximada de 600 lugares. Em 2002 o local foi fechado por supostas irregularidades estruturais. Entre 2003 e 2006 foram feitas adequações no local, mas continuou fechado. Em 2012 houve mais uma das “misteriosas” tentativas da prefeitura em privatizar um ponto na cidade. O que também não foi para frente. No ano passado um grupo formado por agentes culturais e voluntários fez mobilizações para a reabertura do espaço cultural.
E no último final de semana cinco bandas de punk rock, grind e hard core se uniram para uma ocupação cultural pela reabertura do Plaza. Não houve bagunça, enfrentamento com a polícia e nem provocação para a prefeitura. Os amplificadores foram ligados, as bandas tocaram, o público se divertiu e todo mundo ajudou na limpeza e manutenção da ordem.
Assim Ataque de Tubarão, FFAR, The Junkies, Desgraceria e Comsequencia tocaram na calçada em frente à fachada bloqueada do espaço cultural num evento histórico, mostrando que a cultura de uma cidade não depende de “esmolas” públicas para existir. Mas, tem o direito de usar espaços públicos para suas manifestações artísticas. O evento ainda teve um cunho social, já que foi divulgada uma possível contribuição espontânea do público. O dinheiro arrecadado foi destinado para a Sociedade Protetora dos Animais de Maringá (Socpam).
DEPOIMENTOS
“Foi bem legal! A galera respeitou a orientação de não obstruir a via, juntou o lixo. Foram muitas pessoas que nunca havia visto em nossos eventos.  O som estava legal. Todas as bandas ajudaram. Foi bem coletivo, mesmo!”, Murilo Rigo, vocalista da banda FFAR
“Estava conversando com um amigo para fazermos um som na praça. Aí, outro amigo deu a ideia de fazer do ensaio aberto um protesto no Plaza. Fizemos um grupo no Facebook com as bandas e começamos a correria dos equipamentos. A intenção é reabrir o Plaza. Mas não temos nenhum tipo de instituição por trás. Teve bastante discussão. Foi uma movimentação bem coerente com a proposta ideológica”, Raoni Arroyo, vocalista da banda Ataque de Tubarão
"A gente sempre quis tocar numa parada na rua. Seria bom tocar lá dentro do teatro também. E as banda de Maringa estão bem unidas. Isso é uma coisa muito boa, sem preconceitos idiota de estilo”, Vitor de Moraes, guitarrista e vocalista da banda Desgraceria

“Mostramos que o movimento de bandas maringaenses está criando bases sólidas ao habitar não somente as casas noturnas, mas também eventos em uma causa social pra benefício de muitos. O movimento pra reabertura de um espaço cultural tão histórico de Maringá mostra que é possível, através do "faça você mesmo". Foi muito legal tocar nesse dia, pois unimos  estilos diferentes, de forma organizada e pacífica”, Carlos Poppi, baterista do The Junkies

“Foi muito bom tocar na rua. Queremos espaço e reconhecimento da nossa cultura para liberdade da expressão cultural. E fortalecimento e apoio por parte de todos, principalmente dos governantes. Esperamos juntar forças com muitos músicos, artistas, para poder exigir severamente dos políticos a retenção, reforma e reabertura do CineTeatro Plaza. E também uma maior fomentação dos artistas locais”, Gary Azevedo, baixista da banda Comsequencia
Fotos: Alvaro Sasaki
23 de Agosto, 2014 - Ataque de Tubarão, Comsequência, The Junkies, Desgraceria e FFAR @ Cine Teatro Plaza 23 de Agosto, 2014 - Ataque de Tubarão, Comsequência, The Junkies, Desgraceria e FFAR @ Cine Teatro Plaza 23 de Agosto, 2014 - Ataque de Tubarão, Comsequência, The Junkies, Desgraceria e FFAR @ Cine Teatro Plaza 23 de Agosto, 2014 - Ataque de Tubarão, Comsequência, The Junkies, Desgraceria e FFAR @ Cine Teatro Plaza