
A lenda e
uma das primeiras bandas do psychobilly mundial The Ricochets fará um único
show no Brasil nesse final de semana. Eles têm origem numa banda de apoio
chamada Pink & Black no final da década de 1970, formada por dois irmãos e
um primo. Em 1979 surgiu The Ricochets já misturando o clássico rockabilly com punk,
numa pegada mais rápida. Sonoridade que influenciou muitas bandas depois do
lançamento do primeiro disco em 1982, “Made in the shade”, que é um clássico do
psychobilly.
A banda
seguiu sem muito sucesso até terminar em 1984 com a saída dos músicos para outras
bandas como The Meteors e Guana Batz. Eles voltaram a tocar juntos em 1990 e
dois anos depois lançaram outro álbum, “On target”. A banda lançou o terceiro
disco em 2013, “Chain Dog”, e segue tocando até hoje em festivais pelo mundo. E
será a atração principal da 16ª edição do Psycho Carnival, em Curitiba, com o
line up original com Steve Sardi (guitarra), Sam Sardi (baixo), Dave Sardi
(vocal) e Stephen Meadham “Ginger" (bateria).
A banda
tocará no dia 15, domingo, no Espaço Cult. É certeza de casa cheia com muita
gente se espremendo para ver de perto mais lendas do psychobilly mundial
trazidas para o festival paranaense. A banda disse que preparou um set especial
para os fãs e vai atender pedidos durante o show. “Queremos tocar músicas de
todos os nossos três álbuns. Vamos tentar atender a todos os pedidos que
fizerem”, anunciou Steve Sardi, que avisa que trará o disco “Chain Dog” para
venda, além de camisetas da banda.
O Projeto
Zombilly bateu um papo com o guitarrista Steve Sardi, 51 anos, que falou sobre
a expectativa de vir ao Brasil pela primeira vez, comentou sobre o psychobilly
no mundo e anunciou novidades sobre o próximo álbum.
ENTREVISTA
ZOMBILLY - Você está jogando por mais de 30 anos. O que te motiva a continuar
fazendo rock?
STEVE SARDI - Formamos os Ricochets 1979 e a banda acabou em 1983. Acabou
porque queria continuar com meu trabalho regular durante o dia. E Ginger foi
pro Meteors e Sam foi convidado a participar do Guana Batz. Nós voltamos em
1990 e estamos tocando desde então. Quanto à motivação, todos nós amamos o que
fazemos! É ótimo quando você escreve novas músicas, novos riffs. O zumbido quando
nós ensaiamos ainda existe. Estamos sempre tentando manter a música próxima de
nós!
Você já
tocou em diversos festivais. Como você rever a cena do rockabilly / psychobilly
hoje?
Acho que a cena evoluiu. Nós começamos como uma banda tradicional de rockabilly,
tocando covers clássicos de artistas da década de 1950. Foi só quando começamos
a escrever nossas próprias músicas que isso evoluiu para o psychobilly e o
neo-rockabilly. A cena ainda é grande na Alemanha e em algumas partes da Europa.
Para nós é ótimo tocar nos Estados Unidos e no Brasil... e que isso continue
por muito tempo!
Vocês são
uma das primeiras bandas de psychobilly clássico. O que você acha das novas
bandas que fazem um psychobilly mais pesado?
Quanto à música, há uma nova onda de psychobilly. Ele pode ser um pouco pesado
para mim, em minha mente. Mas, eu acho que você tem que manter as raízes
rockabilly. Não é 'Billy' se não há qualquer som de rockabilly!
Como foi
viver a fase histórica do psychobilly? The Ricochets chegou a tocar no Klub
Foot?
Estranhamente, nunca tocamos Klub Foot. Foi nessa época que a banda se desfez. Tocamos
em muitos shows, principalmente em locais de rockabilly. Você tem que se
lembrar, a cena estava passando por uma grande mudança neste momento. O psychobilly
estava apenas começando a fazer seu nome. Lembro-me de tocar num grande
festival rockabilly, o Caister, num fim de semana. Quando fomos no palco que
estavam vestidos como gangsters, vestindo calças largas, camisas brancas,
suspensórios e chapéus Trilby. Nós detonamos na primeira música. “Worried about
you baby”, tocada num ritmo frenético. A multidão começou a dançar (wrecking,
hoje). E isso era novo para a cena de rockabilly. O segurança pensou que todo
mundo estava brigando! Só mais tarde é que eles percebem que a multidão estava
reagindo ao ritmo da música! Foram grandes momentos inovadores!
Quais são as
suas expectativas para tocar no Brasil, no Psycho Carnaval 2015?
Estamos todos realmente ansiosos por isso! Esta será a nossa primeira vez no
Brasil. Espero que o público goste e tenhamos uma grande recepção! Estamos
todos ansiosos para conhecer os fãs brasileiros!
Você sabe
alguma coisa sobre o rockabilly e psychobilly brasileiro?
Não realmente. Eu sempre achei muito surpreendente que a cena se estendesse tão
longe e em tantos países. Estou ansioso para ver algumas das bandas
brasileiras.
Você tem
interesse em ver algo sobre o Brasil se tiver tempo livre?
Esperamos aproveitar o máximo que pudermos o nosso tempo no Brasil. Obviamente,
o tempo será um problema. Eu estou ansioso pelo clima quente!
O que vocês planejam para o futuro do Ricochets?
O nosso álbum mais recente “Chain dog” saiu em novembro de 2013. Ele foi muito bem
recebido e ainda repercute bem. Esperemos gravar um novo álbum ou no final
desse ano ou no início de 2016. Este será um álbum duplo, com um CD psychobilly
e o outro será de rockabilly. Quero mostrar às pessoas as nossas raízes de rockabilly.
Aguardem por isso!
* Confira o grupo do The Ricochets no Facebook.
* Veja vídeo com The Ricochets tocando "Runnin wild" ao vivo.
Foto: Divulgação