quarta-feira, 14 de julho de 2010

O lado esquisito da história americana

Um dos filmes que entrou em cartaz no circuito comercial brasileiro no final de semana passado é a comedia dramática “Almas à venda”. O filme tem no papel principal o ator Paul Giamatti que interpretou o cartunista Harvey Pekar no filme “O anti-heroi americano” em 2003.
Curiosamente, dois dias após a estréia de “Almas a venda” nos cinemas brasileiros, Harvey Pekar morreu nos Estados Unidos. Ele foi encontrado morto em sua casa, em Cleveland, na última segunda-feira. O quadrinhista fazia tratamento contra o câncer de próstata.

A relação entre Giamatti e Pekar não está somente na estreia do novo filme de um e na morte de outro. Os dois fazem parte de um lado da cultura americana que não faz sucesso, mas serve de contra-peso na indústria cultural cheia de filmes superficiais que gastam milhões em suas produções.
E cada vez mais os estúdios fazem filmes para esse público que idolatra esquisitices como “Quero ser John Malcovich” (1999), “Brilho eterno de uma mente sem lembrança” (2004), “Sideways” (2004), com o próprio Paul Giamatti, “Mais estranho que a ficção” (2006), entre outros.
Em “Anti-heroi americano”, Giamati interpretava o próprio quadrinhista Harvey Pekar, baseado num livro autobiográfico lançado em meados dos anos 70.
A história em quadrinhos mostrava um americano de classe media baixa com uma vida pacata. Ele se dedicava mais às suas coleções de gibis e discos mais que a família.

Nesse seu novo filme, “Almas à venda”, Giamatti interpreta a ele mesmo. É um ator que vive em uma crise existencial e faz um inusitado tratamento onde o médico retira sua alma para que seus tormentos vão embora.
Como o tratamento não funciona, Paul quer a alma de volta, mas ela foi roubada por traficantes de almas. A história absurda tem referências teatrais e literárias. O filme tem 1h41 e tem na direção a novata francesa Sophie Barthes.

* Texto do quadro "Cinema na Música", produzido e apresentado por Andye Iore, na rádio Música FM, de Cianorte (PR).

2 comentários:

Tatiane Mara disse...

Adorei este filme!! Super original, uma mistura de drama, comédia e ficção cintífica; sem falar na atuação de Giamatti que está incrível!!

Bruno Vicentini disse...

Sou fã do Giamatti, e a culpa é justamente do American Splendor (o filme), através do qual também conheci o Harvey Pekar e seu trabalho como quadrinhista. Certamente procurarei assistir ao novo filme do Paul. Curti a postagem!

Um abraço.