quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O fim de uma amizade...

Morava em Foz do Iguaçu (PR) e vivia assistindo filmes de terror. Qualquer porcaria que visse nas locadoras como suspense ou horror, eu locava e ia pra casa ver. Um dia de 1986 vi um tal de "A volta dos mortos-vivos".
O filme nem causava medo ou susto, era mais pra uma comédia, um humor negro com a tal da mitologia de um produto químico revivendo os mortos. Aí, tinha uns punks bem caricatos que iam no cemitério ouvir um som. Enfim, depois de muitas mortes e risadas, toca a música "Surfín´Dead", com o The Cramps, quando passa os créditos.

Caramba, aquela música foi direto no principal neurônio, célula que guiava o corpo e as vontades. Virei fã da banda, loquei várias vezes o filme só para ouvir a música até conseguir uma fita K7 gravada com o disco "Bad music for bad people", comprei uma camiseta, fiz uma tatuagem, descolei uns botons, alguns posters e quadros, comprei uma cópia do vídeo "Live at Napa´s Hospital" e me diverti muito vendo o Lux berrando em meio aos loucos do hospício, fiz outra tatuagem sobre a banda, cosegui um compacto de vinil colorido... e assim fui adquirindo tudo que via sobre The Cramps (na foto, parte dessa coleção). Hoje é a banda que mais tenho produtos e nunca hesitei em comprar algo que não tenho deles... já paguei uma "quase fortuna" em um CD pirata... e não me arrependo porque nunca mais vi esse CD em nenhum lugar.
E sempre que tive a oportunidade procurei mostrar Lux & Cia para algum amigo.

E, claro, conheci muita coisa legal pelas influências da banda como Link Wray, Hasil Adkins, entre outros. Sem contar as risadas que dei sozinho nas inúmeras vezes que reli a biografia "The Wild Wild World of The Cramps".
Tenho a certeza que a maior parte da minha vida passei ouvindo The Cramps e tinha Lux e Poison como amigos que podia sair e encontrá-los ali na esquina. Claro, sempre devaneando o dia que veria um show da banda espremido na primeira fila colado no palco. Isso não vai acontecer.

A morte de Lux ontem é só uma prova bem concreta de que as coisas na vida não são nada justas... e é por isso que não me arrependo de nenhum centavo gasto com meus discos, minhas revistas, meus livros, meus filmes, minhas cervejas...
E, de continuar aqui em Maringá a mostrar um pouco do gênero bacana de som que aprendi a gostar com um filme tosco de zumbis há quase 25 anos.

4 comentários:

Anônimo disse...

Pode crer, com os Cramps fiquei com um senso de humor mais aguçado sobre o mundo, junto com os Ramones foi a banda que me tornou um fanático por Rock n' Roll. Thx Lux Interior. R.I.P.

Billy Grilo

Elson disse...

Uma perda irreparavel!!!

Os pioneiros do psychobilly!!!

Anônimo disse...

Poison e Lux eram um belo casal...
E também tinham uma banda muito foda.Á perda de Lux realmente não tem reparação...

Lincoln Cadillac disse...

Alô, Sr. Iore.
Como disse alguém por aí, "Lux nunca esteve vivo".
Stay psycho!